Cristina Tardáguila: “A desinformação será crucial nas eleições europeias”

Cristina Tardáguila, fundadora e diretora da Agência Lupa (Brasil); Enric Hernández, diretor do jornal Periódico de Cataluña; Clara Jiménez, fundadora da Maldito Bulo; Lorena Baeza, jornalista da Newtral e Manuel Campo Vidal, jornalista e presidente da Next, analisaram os principais desafios e perigos a nível mundial em plena era da desinformação.

“A desinformação será crucial nas eleições europeias. Isto é, o uso político dos fatos para que as pessoas acreditem em uma ideologia ou proposta que não é real”, explicou Cristina Tardáguila, fundadora da Agência Lupa, pioneira na verificação de notícias falsas no Brasil, durante o Foro Next intitulado “A batalha contra as fake news“, mediado por Manuel Campo Vidal, presidente da Next.

Diante deste quadro o jornalismo de qualidade parece ser a chave para trazer informações seguras, apesar de aparecerem cada vez mais formas de difusão das fake news“: “É muito fácil construir uma notícia falsa na internet e muito difícil comprová-las em um mundo em que cada vez mais surgem veículos de comunicação pouco confiáveis ou anônimos que distribuem estas notícias”, afirmou Enric Hernández, diretor do Periódico de Cataluña.

“É muito importante que o cidadão, o eleitor e o jornalista estejam prontos para a onda de notícias que chegará à Espanha pelas redes sociais, por e-mail; porém também pela rádio, pela televisão… Difundir notícias falsas pode produzir danos a curto e longo prazo”, acrescentou Cristina.

Já Clara Jiménez, fundadora do Maldito Bulo, apontou que “cada vez mais há desinformação sobre temas específicos. Afetam a percepção que as pessoas têm dos acontecimentos”, e lembrou que “todos os jornalistas são checadores de fatos, pois está na essência do jornalismo verificar as informações”.    

Apesar de tudo, tal situação é uma nova oportunidade para exigir um jornalismo de qualidade frente às informações falsas. A isto conclamou Enric Hernández: “Em um contexto de crise é muito difícil averiguar, todavia creio que a vantagem do surgimento da desinformação é que será preciso separar o joio do trigo, o que é falso e o que é verdadeiro, e isto só se consegue através de veículos com credibilidade.  

Neste sentido Enric reforçou o papel da imprensa: “Se nós jornalistas não formos capazes de recuperar o prestígio como contadores de verdades, perderemos a batalha. Todo o resto é publicidade”.

Manuel Campo Vidal, jornalista e presidente da Next, enfatizou a ideia: “Saiam às ruas, falem com as pessoas, verifiquem. Nem tudo está na tela do computador. Acredito que esse combate à desinformação é uma grande oportunidade para o Jornalismo. Para fazer um jornalismo em defesa da sociedade. Embora com atraso, espero que recuperemos o jornalismo de qualidade.

As notícias falsas não são uma novidade, porém, com as redes sociais, é muito mais fácil que uma inverdade se torne viral e possa ter um alcance muito maior. Seguindo esta linha de pensamento, Lorena Baeza, jornalista da Newtral, explicou que “se há algo novo é como utilizamos as redes sociais e as novas tecnologias. Permitem o acesso a uma quantidade imensa de informação, contudo também de desinformação. É mais necessário do que nunca batalhar intensamente contra esta desinformação”.  

Uma das maiores armadilhas na luta contra as fake news são as mensagens enviadas por Whatsapp. Por ser um meio de de mensagens privadas, instantâneo e imediato não há como controlar o conteúdo que se comparte. Este aplicativo desempenhou um papel determinante na vitória de Jair Bolsonaro no Brasil e na ascensão do partido Vox no Parlamento da Andaluzia na Espanha.   

Frente a este panorama, a solução apontada no Foro Next foi conscientizar a população sobre a importância de evitar difundir qualquer informação recebida sem antes comprová-la. Outra medida são os grupos de Whatsapp dedicados a desmentir as informações espalhadas através do aplicativo, como os que são gerenciados pela Maldito Bulo.  

Foro Next

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O Foro Next é um espaço de encontro com personalidades do mundo político, empresarial e tecnológico, organizado pela escola de negócios Next International Business School e pelo CES Next, centro ligado à Universidade de Lleida. O formato pode variar conforme o tema. Ainda que normalmente seja um café da manhã informativo, é possível também que seja uma entrevista, conferência ou debate.  

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