“Estou convencido que haverá uma nova lei de universidades”

Roberto Fernández, ex-presidente da CRUE – orgão que reúne reitores de 76 universidades espanholas – analisou os principais desafios e adversidades enfrentados pelas universidades do país durante o Foro Next conduzido pelo jornalista Manuel Campo Vidal, presidente da Next International Business School.

“Estou convencido que haverá uma nova lei de universidades. Enquanto presidente da CRUE conversei com todos os líderes dos principais grupos parlamentares e todos afirmaram que a viam com bons olhos – sobretudo se incentivada pela CRUE. Entre eles o presidente Pedro Sánchez. Parece-me interessante que partido que provavelmente liderará o governo (PSOE – Partido Socialista Obrero Español) leve a reforma em seu programa eleitoral, pois isso obriga-o a cumprir. Devo dizer que os outros partidos também concordavam com essa proposta”, explicou Roberto Fernández Díaz, ex-presidente da CRUE e ex-reitor da Universitat de Lleida, durante o Foro Next intitulado “A Educação Universitária na Espanha”, mediado pelo presidente da Next Manuel Campo Vidal na última semana.

Uma das principais demandas do setor universitário no país é a criação de um novo marco jurídico através de uma nova lei de universidades, que responda questões sensíveis como estrutura de ensino, investimentos ou docência e pesquisa universitária – a atual data de 2007. Em suma, uma nova lei que ajude as instituições espanholas a enfrentar os desafios exigidos em um mundo cada vez mais globalizado.  

Nessa linha, Roberto mostra confiança por essa possibilidade uma vez que existe vontade política por parte de todos os partidos para construção de um pacto comum: “Não é hora de estratégias para o que há de ser feito. É hora de fazer políticas para pôr em prática tudo que já vimos que não funciona e tudo que aprendemos que funciona. É hora deste país trabalhar pelo meio universitário”. Sobre a questão a ser tratada no congresso, acrescenta: “creio que o futuro do ensino superior na Espanha passa fundamentalmente por sermos capazes de conseguir um consenso entre partidos e sociedade que torne possível uma nova lei de universidades. Estou convencido que este será o governo da educação universitária na Espanha”.

Em consonância, Campo Vidal defende a necessidade de se colocar em prática essa nova lei educativa: “O grupo Next Educación busca encontrar quais elementos têm mais relevância ante a sociedade e quais as demandas a serem atendidas. Nesse sentido a preocupação com a educação é evidente e a necessidade de sua estruturação em todos os níveis precisa ser pensada para além das campanhas eleitorais”.    

Durante o ano letivo 2017-2018 as instituições espanholas formaram quase 3000 egressos de da graduação superior e 3500 de pós-graduação. De toda maneira, que futuro espera a educação universitária da Espanha, que desafios estão por vir?

Creio que as universidades vivem hoje uma tripla realidade. Em primeiro lugar, temos o melhor sistema universitário de toda a história da Espanha. Segundo, evidente que nos últimos anos tivemos uma grande perda orçamentária em ensino, pesquisa e extensão. Terceiro, é também evidente a necessidade de enfrentar os problemas existentes para que as universidades sigam sendo o que já são: o motor do desenvolvimento econômico e social da Espanha”, esclarece o professor Fernández Díaz em resposta às indagações de Manuel Campo Vidal.    

Por fim, a assertiva de Roberto Fernández Díaz adequa-se perfeitamente ao tempos vividos pela educação superior no Brasil: “Existe uma relação direta entre a verba destinada e a universidade que temos. Pleiteamos que as universidades sejam a base para o conhecimento e pavimento para o progresso e ascensão social e cultural. Pedimos que nossas universidades sejam um Fórmula 1, porém disponibilizamos um orçamento de Fiat 147”.

Deja un comentario