Maus tempos para a política espanhola

Maus tempos para a política espanhola. Da chuva de insultos na pré-campanha eleitoral, passamos a uma tempestade. A ansiedade faz-se presente em alguns candidatos e, ainda que todos digam que vencerão, podem ter metade dos votos do último pleito, ou das expectativas que tinham. As pesquisas apontam que três partidos “doam votos”: PP de Pablo Casado, Podemos de Pablo Iglesias e PDeCAT de Carles Puigdemont. E quatro formações que devem subir: PSOE, que pode receber os desencantados com Unidas Podemos, mais abstenções e muitos que ponderavam votar no Ciudadanos antes de sua guinada à direita; subirá Ciudadanos, ainda que longe dos prognósticos de um ano atrás; Esquerra Republicana, que herdaria os votos de metade dos cansados seguidores de um Puigdemont cada vez mais radical, porém com apoio significativo graças à TV-3; por último a revelação Vox, que saltaria de zero a dois, cinco ou uma dezena de deputados. É a grande incógnita.   

Os dois comentários mais frequentes nessas semanas pelas ruas dizem respeito ao descontentamento pelos insultos – que prejudicam mais os emissores que seus alvos – e à ascensão do Vox em distintos meios. “Critiquei o Vox em uma conferência quinta passada e foi visível o mal-estar de muitos alunos” relata Josep Ramón Bosch, personalidade conhecida pela defesa da constituição. Quando seu líder, Santiago Abascal, aparece em um programa de televisão, qualquer pessoa que esteja ante uma tv ligada e cresce a atenção. Pode sim ser curiosidade, por ser novidade, porém pode expressar o “silêncio dos indecisos”. Quase um milhão de eleitores teria dúvida entre PP e Vox, enquanto outro milhão não sabe se fica entre PSOE ou Ciudadanos. A opção será conhecida ao final, e a surpresa deve ser garantida. É uma campanha chave.    

As mostras de intolerância aumentam. O incidente contra a popular Cayetana Alvarez de Toledo na Universidade Autônoma de Barcelona foi lastimável. E um fiasco a propaganda, pretensamente engraçada, das juventudes populares com um cartaz mostrando as filhas de Pedro Sánchez, menores, em uma praia. A linguagem dos tempos de Guerra Civil Espanhola adotada pelo Vox reconstrói uma Espanha que felizmente ficou para trás. José María Aznar sai ao resgate de um Pablo Casado que coleciona equívocos, como redução do salário mínimo, e chama Sánchez de “candidato secessionista”. As poucas propostas que aparecem são de “todo a cien“, como o aumento brusco do salário mínimo de 900 a 1200 euros, defendida pelo Podemos.         

Nesse cenário desolador se vê, todavia, movimentos de reconstrução de alguns espaços moderados. Por exemplo, o projeto “Catalunya Segle XXI”, que aspira recuperar votos a uma corrente moderada a qual pulverizou a radicalização da antiga Convergencia i Unió. Diversos nomes por todo país trabalham buscando seus espaços. A política é bastante dura, até mesmo antes de ganhar.   

Manuel Campo Vidal, Next IBS, opinião, espanha

 

Manuel Campo Vidal é Jornalista e presidente da Next IBS

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